Proposta curricular
Um aspecto central a considerar na implementação de políticas de educação integral é a Proposta Curricular adotada para a rede, que pode ser uma importante oportunidade de retomá-la, discuti-la e reorganizá-la, considerando os conteúdos educacionais, os espaços de aprendizagem e os tempos escolares.
Os conteúdos educacionais
A proposta de educação integral visa ampliar as oportunidades de aprendizagem das crianças e dos adolescentes, promovendo o desenvolvimento em todas as suas dimensões, o bom desempenho escolar e o desenvolvimento de valores e atitudes de convívio democrático. Isso significa propiciar aprendizagens para expandir o seu repertório cultural, por meio do acesso e da fruição de bens culturais aos quais, de modo geral, não têm acesso e que são importantes para sua formação, permitindo-lhes entender e movimentar-se em diferentes contextos sociais.
A ampliação do acesso às diferentes linguagens e manifestações artísticas, culturais, esportivas, digitais, assim como à participação na vida social do território em que vivem, contribui para que crianças e adolescentes atinjam patamares mais elevados de letramento e melhor rendimento escolar.
Como essas ações dialogam ?
Essas novas aprendizagens, portanto, não podem e não devem ficar isoladas no tempo e no espaço das escolas, mas integrar-se às já oferecidas, constituindo um currículo uno e organizado que contemple os objetivos da parte diversificada e do núcleo comum nacional. Para isso, os profissionais envolvidos precisam ter garantida alguma forma de comunicação, de diálogo e troca, evitando a hierarquização das áreas do saber e reconhecendo a importância de todas as ações desenvolvidas com as crianças e os adolescentes em seu cotidiano.
Em muitas experiências de escolas de educação integral ainda prevalecem as separações entre o que se desenvolve em um período em relação ao outro. Essa cisão entre o que se convencionou chamar de turno e contraturno dificulta o desenvolvimento de propostas pedagógicas que ofertem situações significativas de aprendizagem e promovam o desenvolvimento integral de crianças e adolescentes. Romper essa cisão e realizar uma articulação curricular, na perspectiva de um currículo único e integrado, que envolva atividades artísticas, culturais, esportivas, tecnológicas e lúdicas e as disciplinas do núcleo comum, é um dos maiores desafios na implementação de políticas de educação integral.
O currículo, entendido como organizador das atividades escolares, materializa-se em diferentes formas de uso dos tempos e dos espaços pedagógicos. Na concepção de educação integral que defendemos, a organização das atividades deve buscar superar a concepção das oficinas pedagógicas como atividades meramente agregadoras ao currículo ou independentes. No contexto dessa concepção, o currículo assume a parte diversificada como integrante de si mesmo.
A integração curricular não é espontânea, ela é intencional e planejada pelo coletivo das escolas, nos horários pedagógicos internos ou em momentos de formação mais ampla da rede, e todas essas decisões estão ou deveriam estar expressas nos Projetos Político-Pedagógicos como uma carta náutica, como um roteiro de viagem sempre à mão dos viajantes e que deve ser consultado sempre que necessário para que se possam confirmar os percursos escolhidos. Esse documento, quando tradutor da realidade e dos sonhos coletivos, pode assegurar uma chegada exitosa, pois foi planejada, organizada e definida à luz de elementos sólidos de observação da realidade.
Um aspecto importante no processo de reflexão sobre integração curricular é pensar o lugar da escolha das crianças e adolescentes na escola. É preciso partir do princípio de que crianças e adolescentes são capazes de produzir, criar e intervir. Os alunos têm condições de atuar na proposição e organização das propostas de jornada ampliada, inclusive a implementação da educação integral pode ser um elemento altamente catalisador da participação dos alunos.
É comum que tudo já esteja escolhido, apesar do desejo pela criticidade e autonomia de todos, tão presentes nos PPPs.

A participação dos alunos na discussão e indicação das atividades a serem oferecidas na escola de educação integral pode ser um importante exercício de construção dessa escola mais participativa e corajosa que se aspira. Isso pode ser feito por meio de consulta organizada, contando-se inclusive com o grêmio estudantil, se houver, ou com alunos representantes de classe, para ajudar na divulgação da consulta, no processo de escolha e de sistematização das atividades sugeridas. Esse procedimento de interação e diálogo proporciona voz e protagonismo aos adolescentes, envolvimento dos profissionais da educação e adesão à proposta.

Esse processo não pode se situar apenas no registro do “discurso”; é preciso consolidar esses canais de comunicação e participação para que as crianças e os adolescentes se sintam autores e protagonistas nas questões escolares.
Exemplos que podem facilitar a integração curricular:
Decisão em conjunto, secretaria e escolas, sobre os critérios para a escolha dos conteúdos a serem explorados com os alunos, a partir das possibilidades e necessidades identificadas nos PPP, nas caracterizações e sondagens realizadas pelos profissionais
A escolha das propostas que serão desenvolvidas deve ser feita pelas escolas de acordo com a realidade que vivem, de suas necessidades e diagnósticos, considerando seus espaços e possibilidades de parcerias no território.
Promoção de momentos de formação conjunta e de planejamento coletivo, envolvendo todos: equipe dirigente, coordenadores, supervisores, professores, educadores sociais, conselhos de escola. Só o compartilhamento constante da concepção de educação integral e de estratégias de concretizá-la possibilita a apropriação na prática.
A rotina relativa às atividades do núcleo comum e a da parte diversificada podem ser organizadas para ocorrer em um mesmo período, ampliando as oportunidades de interdisciplinaridade e favorecendo a integração curricular. Ambas podem ser lúdicas e desafiadoras e garantir circulação e construção de conhecimento.
Reorganização do tempo das aulas do núcleo comum, particularmente no Ensino Fundamental II, como as aulas “dobradinhas”, para que haja mais tempo de envolvimento dos alunos com a aprendizagem, maior interação do professor com os alunos e menos fragmentação do tempo e dos conteúdos. Esse pode ser um importante exercício para pensar o trabalho pedagógico a partir da necessidade das crianças e adolescentes e a relação com os tempos de aprendizagem.
Planejamento conjunto de professores e educadores sociais de atividades que prevejam saídas dos alunos pelo território e pela cidade, com a intenção pedagógica de apropriação do espaço público, ampliando o sentido de suas aprendizagens e promovendo novas reflexões acerca da integração entre o que se faz na escola e o que acontece fora dela.
Os espaços de aprendizagem
Todos os ambientes da escola podem ser utilizados como salas de aula: o auditório, a sala de leitura, a biblioteca, a sala de informática, o laboratório de ciências, a cozinha, o refeitório, as áreas externas da escola e a quadra esportiva, tornando-se espaços de circulação e uso comum para a aprendizagem, durante o período de aulas. Em algumas escolas observa-se que, embora existam essas estruturas, elas ainda são subutilizadas. Parecem funcionar como espaços “sacralizados”, utilizados apenas em situações especiais – eventos, aulas de projetos, reuniões especiais.
É importante considerar que as crianças e os adolescentes não devem permanecer o tempo todo dentro das unidades educacionais. As organizações sociais (OSCs) e os diferentes equipamentos públicos do entorno, como unidades básicas de saúde, bibliotecas, centros esportivos e culturais, museus, praças e parques, são potenciais parceiros para o desenvolvimento de uma proposta pedagógica que contemple a apropriação do território e o envolvimento de diferentes atores sociais na educação de crianças e de adolescentes.
Circular pelos espaços de outras instituições ou usá-los não basta para uma política de educação integral. Há um desafio maior no que diz respeito à implementação de uma proposta curricular integrada: o diálogo constante entre as instituições envolvidas e a realização de planejamentos conjuntos. Para deixar o espaço da escola e desenvolver atividades em qualquer outro, é preciso ter intencionalidade pedagógica, saber o que se pretende garantir em termos de aprendizagem com cada uma das escolhas feitas.
Visitas mútuas entre as instituições, reuniões entre as equipes de profissionais das escolas, das OSCs e de outras secretarias, assim como a realização de algumas formações conjuntas, são importantes recursos para criar vínculos entre as instituições e integrar o trabalho de ambas. Todos esses processos têm como foco central a construção de caminhos mais eficazes de ampliar oportunidades de aprendizagens para crianças e adolescentes.
Os tempos escolares
O Ministério da Educação define escolas de tempo integral como aquelas que ofertam, no mínimo, 7 horas para atividades de ensino e aprendizagem. No entanto, existem experiências com 8, 9 ou até 10 horas de permanência de crianças e adolescentes nas unidades escolares ou em atividades dos programas.
O êxito ou o fracasso dessas experiências podem estar relacionados às propostas pedagógicas desenvolvidas. Mais tempo na escola pode interferir positivamente na capacidade de aprendizagem das crianças, que têm ritmos e jeitos diferentes de aprender, porque permite que haja um tempo mais apropriado para a interação com os conhecimentos, com os recursos de aprendizagem, com os professores ou educadores sociais e com os colegas.
Mas, se o aumento do tempo é preponderante para a melhoria da qualidade da educação ofertada, somente a sua ampliação não é suficiente para garantir a aprendizagem. É preciso qualificar esse tempo oferecendo diversidade de conteúdos, especialmente os ligados à arte, à cultura, às modalidades esportivas e à ludicidade, flexibilizando os tempos e promovendo novos agrupamentos de alunos por meio do trabalho com oficinas e projetos.
É preciso repensar a escola e a forma como ela se organiza (espaços, tempos, conteúdos), buscando modos mais flexíveis de funcionamento. Igualmente importante é construir metodologias que valorizem a experiência e o protagonismo das crianças e dos adolescentes, tornando a escola mais atraente e mais engajada na comunidade e na sociedade contemporânea. O tempo que os professores permanecem na escola também tem que ser repensado, especialmente quando a modalidade de educação integral implantada é do período ampliado dentro da escola. Na medida em que o professor também permanece mais tempo na unidade escolar, ele tem a possibilidade de estabelecer vínculos e maior identidade com o lugar, de conhecer melhor os alunos, a comunidade escolar, o entorno e os colegas de trabalho (funcionários, professores, gestores).
Além disso, pode participar do horário coletivo, fazer planejamentos individuais e coletivos, buscar maior articulação entre as disciplinas do núcleo comum e as oficinas e garantir atendimento aos pais e responsáveis. Também é preciso promover o equacionamento entre tempo de trabalho individual e tempo de trabalho coletivo dos alunos. Hoje, grande parte das iniciativas de educação integral reserva tempo para atividades de atendimento individual, sob forma de “reforço ou recuperação de aprendizagem”. Essas atividades devem ser planejadas pelo professor de sala de aula e pelo professor da oficina, juntos, e contemplar várias formas de trabalho com os conteúdos, atendendo aos diferentes modos de aprender.
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Um aspecto central a considerar na implementação de políticas de educação integral é a Proposta Curricular adotada para a rede, que pode ser uma importante oportunidade de retomá-la, discuti-la e reorganizá-la, considerando os conteúdos educacionais, os espaços de aprendizagem e os tempos escolares.
Os conteúdos educacionais
A proposta de educação integral visa ampliar as oportunidades de aprendizagem das crianças e dos adolescentes, promovendo o desenvolvimento em todas as suas dimensões, o bom desempenho escolar e o desenvolvimento de valores e atitudes de convívio democrático. Isso significa propiciar aprendizagens para expandir o seu repertório cultural, por meio do acesso e da fruição de bens culturais aos quais, de modo geral, não têm acesso e que são importantes para sua formação, permitindo-lhes entender e movimentar-se em diferentes contextos sociais.
A ampliação do acesso às diferentes linguagens e manifestações artísticas, culturais, esportivas, digitais, assim como à participação na vida social do território em que vivem, contribui para que crianças e adolescentes atinjam patamares mais elevados de letramento e melhor rendimento escolar.
Essas novas aprendizagens, portanto, não podem e não devem ficar isoladas no tempo e no espaço das escolas, mas integrar-se às já oferecidas, constituindo um currículo uno e organizado que contemple os objetivos da parte diversificada e do núcleo comum nacional. Para isso, os profissionais envolvidos precisam ter garantida alguma forma de comunicação, de diálogo e troca, evitando a hierarquização das áreas do saber e reconhecendo a importância de todas as ações desenvolvidas com as crianças e os adolescentes em seu cotidiano.
Em muitas experiências de escolas de educação integral ainda prevalecem as separações entre o que se desenvolve em um período em relação ao outro. Essa cisão entre o que se convencionou chamar de turno e contraturno dificulta o desenvolvimento de propostas pedagógicas que ofertem situações significativas de aprendizagem e promovam o desenvolvimento integral de crianças e adolescentes. Romper essa cisão e realizar uma articulação curricular, na perspectiva de um currículo único e integrado, que envolva atividades artísticas, culturais, esportivas, tecnológicas e lúdicas e as disciplinas do núcleo comum, é um dos maiores desafios na implementação de políticas de educação integral.
O currículo, entendido como organizador das atividades escolares, materializa-se em diferentes formas de uso dos tempos e dos espaços pedagógicos. Na concepção de educação integral que defendemos, a organização das atividades deve buscar superar a concepção das oficinas pedagógicas como atividades meramente agregadoras ao currículo ou independentes. No contexto dessa concepção, o currículo assume a parte diversificada como integrante de si mesmo.
A integração curricular não é espontânea, ela é intencional e planejada pelo coletivo das escolas, nos horários pedagógicos internos ou em momentos de formação mais ampla da rede, e todas essas decisões estão ou deveriam estar expressas nos Projetos Político-Pedagógicos como uma carta náutica, como um roteiro de viagem sempre à mão dos viajantes e que deve ser consultado sempre que necessário para que se possam confirmar os percursos escolhidos. Esse documento, quando tradutor da realidade e dos sonhos coletivos, pode assegurar uma chegada exitosa, pois foi planejada, organizada e definida à luz de elementos sólidos de observação da realidade.
Um aspecto importante no processo de reflexão sobre integração curricular é pensar o lugar da escolha das crianças e adolescentes na escola. É preciso partir do princípio de que crianças e adolescentes são capazes de produzir, criar e intervir. Os alunos têm condições de atuar na proposição e organização das propostas de jornada ampliada, inclusive a implementação da educação integral pode ser um elemento altamente catalisador da participação dos alunos.
É comum que tudo já esteja escolhido, apesar do desejo pela criticidade e autonomia de todos, tão presentes nos PPPs.

A participação dos alunos na discussão e indicação das atividades a serem oferecidas na escola de educação integral pode ser um importante exercício de construção dessa escola mais participativa e corajosa que se aspira. Isso pode ser feito por meio de consulta organizada, contando-se inclusive com o grêmio estudantil, se houver, ou com alunos representantes de classe, para ajudar na divulgação da consulta, no processo de escolha e de sistematização das atividades sugeridas. Esse procedimento de interação e diálogo proporciona voz e protagonismo aos adolescentes, envolvimento dos profissionais da educação e adesão à proposta. Esse processo não pode se situar apenas no registro do “discurso”; é preciso consolidar esses canais de comunicação e participação para que as crianças e os adolescentes se sintam autores e protagonistas nas questões escolares.
Exemplos que podem facilitar a integração curricular:
Decisão em conjunto, secretaria e escolas, sobre os critérios para a escolha dos conteúdos a serem explorados com os alunos, a partir das possibilidades e necessidades identificadas nos PPP, nas caracterizações e sondagens realizadas pelos profissionais
A escolha das propostas que serão desenvolvidas deve ser feita pelas escolas de acordo com a realidade que vivem, de suas necessidades e diagnósticos, considerando seus espaços e possibilidades de parcerias no território.
Promoção de momentos de formação conjunta e de planejamento coletivo, envolvendo todos: equipe dirigente, coordenadores, supervisores, professores, educadores sociais, conselhos de escola. Só o compartilhamento constante da concepção de educação integral e de estratégias de concretizá-la possibilita a apropriação na prática.
A rotina relativa às atividades do núcleo comum e a da parte diversificada podem ser organizadas para ocorrer em um mesmo período, ampliando as oportunidades de interdisciplinaridade e favorecendo a integração curricular. Ambas podem ser lúdicas e desafiadoras e garantir circulação e construção de conhecimento.
Reorganização do tempo das aulas do núcleo comum, particularmente no Ensino Fundamental II, como as aulas “dobradinhas”, para que haja mais tempo de envolvimento dos alunos com a aprendizagem, maior interação do professor com os alunos e menos fragmentação do tempo e dos conteúdos. Esse pode ser um importante exercício para pensar o trabalho pedagógico a partir da necessidade das crianças e adolescentes e a relação com os tempos de aprendizagem.
Planejamento conjunto de professores e educadores sociais de atividades que prevejam saídas dos alunos pelo território e pela cidade, com a intenção pedagógica de apropriação do espaço público, ampliando o sentido de suas aprendizagens e promovendo novas reflexões acerca da integração entre o que se faz na escola e o que acontece fora dela.
Os espaços de aprendizagem
Todos os ambientes da escola podem ser utilizados como salas de aula: o auditório, a sala de leitura, a biblioteca, a sala de informática, o laboratório de ciências, a cozinha, o refeitório, as áreas externas da escola e a quadra esportiva, tornando-se espaços de circulação e uso comum para a aprendizagem, durante o período de aulas. Em algumas escolas observa-se que, embora existam essas estruturas, elas ainda são subutilizadas. Parecem funcionar como espaços “sacralizados”, utilizados apenas em situações especiais – eventos, aulas de projetos, reuniões especiais.
É importante considerar que as crianças e os adolescentes não devem permanecer o tempo todo dentro das unidades educacionais. As organizações sociais (OSCs) e os diferentes equipamentos públicos do entorno, como unidades básicas de saúde, bibliotecas, centros esportivos e culturais, museus, praças e parques, são potenciais parceiros para o desenvolvimento de uma proposta pedagógica que contemple a apropriação do território e o envolvimento de diferentes atores sociais na educação de crianças e de adolescentes.
Circular pelos espaços de outras instituições ou usá-los não basta para uma política de educação integral. Há um desafio maior no que diz respeito à implementação de uma proposta curricular integrada: o diálogo constante entre as instituições envolvidas e a realização de planejamentos conjuntos. Para deixar o espaço da escola e desenvolver atividades em qualquer outro, é preciso ter intencionalidade pedagógica, saber o que se pretende garantir em termos de aprendizagem com cada uma das escolhas feitas.
Visitas mútuas entre as instituições, reuniões entre as equipes de profissionais das escolas, das OSCs e de outras secretarias, assim como a realização de algumas formações conjuntas, são importantes recursos para criar vínculos entre as instituições e integrar o trabalho de ambas. Todos esses processos têm como foco central a construção de caminhos mais eficazes de ampliar oportunidades de aprendizagens para crianças e adolescentes.
Os tempos escolares
O Ministério da Educação define escolas de tempo integral como aquelas que ofertam, no mínimo, 7 horas para atividades de ensino e aprendizagem. No entanto, existem experiências com 8, 9 ou até 10 horas de permanência de crianças e adolescentes nas unidades escolares ou em atividades dos programas.
O êxito ou o fracasso dessas experiências podem estar relacionados às propostas pedagógicas desenvolvidas. Mais tempo na escola pode interferir positivamente na capacidade de aprendizagem das crianças, que têm ritmos e jeitos diferentes de aprender, porque permite que haja um tempo mais apropriado para a interação com os conhecimentos, com os recursos de aprendizagem, com os professores ou educadores sociais e com os colegas.
Mas, se o aumento do tempo é preponderante para a melhoria da qualidade da educação ofertada, somente a sua ampliação não é suficiente para garantir a aprendizagem. É preciso qualificar esse tempo oferecendo diversidade de conteúdos, especialmente os ligados à arte, à cultura, às modalidades esportivas e à ludicidade, flexibilizando os tempos e promovendo novos agrupamentos de alunos por meio do trabalho com oficinas e projetos.
É preciso repensar a escola e a forma como ela se organiza (espaços, tempos, conteúdos), buscando modos mais flexíveis de funcionamento. Igualmente importante é construir metodologias que valorizem a experiência e o protagonismo das crianças e dos adolescentes, tornando a escola mais atraente e mais engajada na comunidade e na sociedade contemporânea. O tempo que os professores permanecem na escola também tem que ser repensado, especialmente quando a modalidade de educação integral implantada é do período ampliado dentro da escola. Na medida em que o professor também permanece mais tempo na unidade escolar, ele tem a possibilidade de estabelecer vínculos e maior identidade com o lugar, de conhecer melhor os alunos, a comunidade escolar, o entorno e os colegas de trabalho (funcionários, professores, gestores).
Além disso, pode participar do horário coletivo, fazer planejamentos individuais e coletivos, buscar maior articulação entre as disciplinas do núcleo comum e as oficinas e garantir atendimento aos pais e responsáveis. Também é preciso promover o equacionamento entre tempo de trabalho individual e tempo de trabalho coletivo dos alunos. Hoje, grande parte das iniciativas de educação integral reserva tempo para atividades de atendimento individual, sob forma de “reforço ou recuperação de aprendizagem”. Essas atividades devem ser planejadas pelo professor de sala de aula e pelo professor da oficina, juntos, e contemplar várias formas de trabalho com os conteúdos, atendendo aos diferentes modos de aprender.
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